Na Serra Gaúcha, o futuro já está em construção 

17 DE SETEMBRO DE 2026

As mudanças ocasionadas pela inteligência artificial transformarão o mercado e as relações de trabalho de forma profunda. Os profissionais precisarão se adaptar. Novas tecnologias estão chegando e já sinalizam esse novo tempo. 

Mas existe uma parte dessa conversa que dialoga com o presente: em muitos lugares, esse ‘futuro’ já chegou. Um exemplo está na saúde, dentro da Serra Gaúcha. 

No Complexo Hospitalar da Unimed Serra Gaúcha, uma solução chamada Sofia passou a apoiar profissionais na consulta e conferência de informações relacionadas a medicamentos. Quando surge uma dúvida sobre uma dosagem, uma diluição ou outra orientação, o profissional pode recorrer à ferramenta como uma camada adicional de conferência, somando tecnologia à sua formação, aos protocolos e ao conhecimento que já possui. 

Sofia foi apresentada no Lovable Day, em Caxias do Sul, realizado em agosto. Sua construção combinou conhecimento farmacêutico, inteligência artificial e a plataforma Lovable. O que antes estava organizado em um manual ganhou uma experiência conversacional que pode ser consultada de maneira mais direta. 

O mais interessante, porém, é o processo que tornou a ferramenta possível. 

Durante décadas, construímos tecnologia a partir de uma divisão bastante clara: alguém dentro do negócio identifica uma necessidade, transforma essa necessidade em requisito, encaminha para TI ou engenharia e aguarda o desenvolvimento de uma solução. 

Esse modelo continua sendo necessário para sistemas complexos e de grande escala. Mas, agora, o processo pode ser mais simples. Em vez de acionar a equipe de TI com a ideia, o profissional pode chegar com algo que já foi construído, experimentado e colocado à prova. 

É uma mudança importante porque reduz o espaço entre imaginar uma solução e testá-la. 

E Sofia mostra por que isso pode ser especialmente relevante em setores nos quais o conhecimento acumulado pela operação é enorme. Na saúde, quem conhece o fluxo assistencial conhece também as exceções, as dificuldades, as dúvidas recorrentes e os pontos em que uma informação precisa estar disponível com mais agilidade. 

Esse conhecimento não pode ser substituído por uma ferramenta. Pelo contrário, é o saber que abastece e norteia as novas aplicações tecnológicas. 

A discussão sobre inteligência artificial não deveria se limitar a quantas empresas já utilizam determinada tecnologia. A pergunta mais interessante talvez seja outra: quantas pessoas dentro dessas empresas estão conseguindo transformar o conhecimento que possuem em soluções concretas? 

Sem dúvidas, esse será o grande diferencial das organizações nos próximos anos. 

Quando todos podem criar, entretanto, criar deixa de ser suficiente. Construir passa a importar mais: conhecer o problema, formular hipóteses, testar, errar, aprender, avaliar e decidir o que merece ser levado adiante. 

Felizmente,  essa mudança já está acontecendo na Serra Gaúcha. 

O papel de ecossistemas de inovação, nesse cenário, também muda. Mais do que apresentar tecnologias, é preciso criar condições para que pessoas e organizações experimentem, construam e aprendam com problemas reais.