16 jul 2020
Por que Startups?
por Thomas Job Antunes, Executivo do Instituto Hélice

Você já deve conhecer a história sobre o Instituto Hélice ter nascido a partir de uma experiência bem-sucedida de conexão de grandes empresas com startups. Facilmente, este é o processo que as pessoas mais reconhecem a Hélice – ainda que a gente realize muitas outras ações. Mas não é à toa, além de representar muito bem o Instituto, a conexão com startups gera ótimos resultados para as empresas e para a região da Serra Gaúcha.

Uma pergunta recorrente é, por que startups? Bom, dos vários benefícios que vou citar a seguir, poderia resumir em uma expressão: comprar tempo. E isso vale tanto para empresa quanto para a startup.

Tome por conta a seguinte situação: uma grande empresa precisa tornar algum processo da sua operação mais rápida, barata, inteligente ou confiável. Pense em qualquer processo operacional: recrutamento e seleção, análise de crédito, inspeção de qualidade, roteirização logística, acompanhamento de leads, reembolso de viagens, segurança do trabalho, entre infinitos outros… Agora visualize o cenário onde a própria empresa desenvolve uma solução internamente. Possivelmente seria um projeto que duraria em torno de 6 a 12 meses, com envolvimento de pessoas de diferentes áreas, e um investimento que pode variar de R$ 50 mil até alguns milhões, eu diria. Com uma startup, este projeto tomaria, na média, 60 dias a um custo que pode chegar a 1 décimo do desenvolvimento interno.

Entretanto, mais importante que estes valores, é que a solução será desenvolvida por profissionais que são especialistas na tecnologia e conhecem muito profundamente este desafio. Ao passo que, com o desenvolvimento interno, a empresa estaria dedicando esforços para uma atividade que não é a sua finalidade e que ela não é especialista. O nível de solução de uma startup e de um desenvolvimento interno é incomparável. Em tempos em que o mercado exige mudanças rápidas e foco estratégico é chave, o único caminho para a transformação é através de inovação aberta. Especialmente em um contexto de reajuste da economia, observamos o papel importantíssimo que as startups tem realizado na entrega de soluções no curto prazo, ajudando grandes empresas se adaptarem com velocidade.

 

É como um rebocador conduzindo um navio por águas rasas.

Esta é a parte da análise de benefícios quantificáveis. Os aprendizados com a Hélice mostram que o relacionamento com startups traz alguns benefícios intangíveis que impactam diretamente na cultura da grande empresa:

  • Contato com tecnologias de ponta – que normalmente equipe interna não teve a oportunidade de conhecer e explorar;
  • Metodologias ágeis, com feedback contínuo;
  • Cultura ágil, com processos de tomada de decisão curtos;
  • Experiência de muitos outros clientes, trazendo aprendizados para o processo da empresa.

Do lado da startup o primeiro benefício esperado é, naturalmente, a conquista de um cliente de grande porte. Mas observar essa questão estritamente pelo viés de ganho de receita é limitado. A relação comercial com a grande empresa traz consigo uma oportunidade riquíssima de aprendizado para tanto para o desenvolvimento pessoal do empreendedor, quanto para o próprio modelo de negócio da startup. Não raro, acontecem mentorias de executivos junto ao empreendedor, informalmente, combinando experiência e agilidade.

Hoje, a Hélice está pilotando um programa de mentoria estruturado que visa tornar essas experiências mais explicitas e proveitosas. Além de ser um case a ser explorado pela startup, a conexão com uma grande empresa se torna uma oportunidade de validação do produto, que possivelmente será executava por milhares de usuários colaboradores.

Atualmente, o Instituto Hélice realiza o processo de conexão com startups de forma contínua, com um novo processo se iniciando a cada 2 meses. Este processo funciona da seguinte forma:

  1. Os temas são definidos a partir do interesse comum das empresas associadas, compartilhando as suas dores, que por sua vez são transformados em desafios.
  2. Estes desafios são lançados no nosso site e para uma rede de parceiros, entre eles a ACE, Darwin, Ventiur, Semente Negócios e Sebrae-RS.
  3. A Startup interessada, se inscreve no site helice.network.
  4. As empresas analisam as startups e aquelas do interesse da maioria são convidadas para o pitchday.
  5. Realizamos o pitchday com a participação da equipe técnica e executiva das empresas. Cada startup tem 10 minutos para se apresentar e 20 minutos para perguntas. Neste momento, as empresas preenchem um formulário de feedback sobre a startup e se tem interesse em conversar com a startup sobre um POC (prova de conceito).
  6. A startup recebe um relatório com o feedback estruturado e com as empresas que demonstraram interesse. Nos próximos 30 dias ocorrem as conversas sobre o escopo da POC.
 
 
 
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Recentemente adaptamos o nosso processo para acontecer 100% virtual e tem sido muito animador. Além de reduzirmos os custos com deslocamento, temos a adesão de muitos mais participantes, os pitchs são gravados e as conversas costumam ser muito mais objetivas. Possivelmente não voltaremos atrás na opção presencial tão cedo.

Neste ano trabalhamos os temas de saúde, educação e, mais recentemente, bots, tendo a participação de 80 startups do país inteiro. Temos nos diferenciado por ter um processo estruturado e focado no estabelecimento de uma relação comercial.

 

Nós não convidamos as startups para realizar um evento de sensibilização das empresas. O objetivo é encontrar uma solução com uma tecnologia diferenciadora e de rápida implantação.

 

Este processo sendo realizado de forma contínua tem produzido um efeito que sonhávamos a 2 anos atrás: colocar a região da serra gaúcha no mapa dos ecossistemas do Brasil. Não raro, ouvíamos que as empresas locais eram fechadas e não recebiam bem startups. O simples movimento de abrir as empresas para a colaboração transformou este cenário, gerando impactos econômicos. Hoje, este processo começa a mostrar resultado a partir das contratações que estão sendo realizadas e do reconhecimento das startups de que este é um destino com potencial de inovação! Só posso agradecer a participação de todas as empresas do Hélice que estão abertas a inovar. Mais do que nunca, a inovação aberta tem um papel chave na sobrevivência das startups.

Por isso, reforço o convite para que os empreendedores do país inteiro juntem-se a este movimento e tenham a serra gaúcha como um local onde entrarão ótimas parcerias.